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Cidadão maior de idade


Por que não precisa votar quem tem mais de sessenta e cinco anos de idade?

Por que é obrigatório o voto de quem tem menos de sessenta e cinco?

E se eu não quiser votar?

E se eu anular meu voto?

E se eu protestar?

Se eu dissesse pro mundo e fundo que ia votar no fulano

e votasse no beltrano?

E se exercer  o direito de voto com a minha escolha de não votar?

Por que tem que ser um dever o que quero que seja um prazer?

Então o maior de dezesseis pode? Será que ele quer?

E se alguém puxar no computador quem votou em quem e descobrir:

O tal votou no sicrano... Chi, cadê minha intimidade?

Disso não faço parte. Que é então ser cidadão? É ter entre 16 e 65? É votar?

Mas eu não quero fazer xis, nem apertar botão,

quero dar a minha opinião descritiva.

E aí, cidadão? Vai ficar muito tempo nesse mesmo lugar? Vai trabalhar!

Cidadão produz.

O maior de 65 quer produzir. Vadiar e trabalhar.

O direito ao ócio é o direito ao trabalho.

Aposentado e desempregado.

Cidadão abandonado.

Maior de 65.

Eu não quero ônibus de graça, quero poder pagar o ônibus que uso

e dizer obrigado só porque eu sou educado!

 Eu não quero dever pro governo,

eu quero cobrar pelo que já paguei a vida inteira!

Eu não quero remédio,  quero saúde,

eu não quero eutanásia, quero vida!

Eu não quero advogado, quero respeito!

 Eu não quero bravata, quero solidariedade,

eu não quero dó, quero ser amado,

eu não quero bronca, quero liberdade!

 

Sou um jovem maior de sessenta e cinco. De carteirinha.

 

©All Rights Reserved

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leopoldo pontes

Leopoldo Luiz Rodrigues Pontes é meu nome. Nasci às 4 e meia da manhã, do dia 4 de abril de 1958, no bairro da Lapa, na cidade de São Paulo. No final dos anos 1970 e início dos 80, publiquei uma série de livros de poemas, por conta própria, na base do mimeógrafo e do off-set. Os principais foram: “Paixões Remuneradas”, “Sobre Rio Claro” e “Já que Tá, então Fica”. Tentei fazer alguns para educação popular, mas não foram para frente, nem os de arte em mimeógrafo. Enveredei pelas artes plásticas e pela música. Fiz várias exposições individuais e participei de coletivas. Fui solista de guitarra e cantei, em várias bandas de rock que não duraram quase nada. Individualmente, toquei vários outros instrumentos, não só de corda, mas também, muito mal, de sopro e percussão. Sempre de ouvido, embora tenha estudado profundamente música, o que ainda o faço. Minha formação acadêmica inclui jornalismo em Santos e direito em Taubaté, além de meia-pós-graduação em comunicação social e uma pós-graduação em língua portuguesa e literatura. E vários pequenos cursos adicionais, incluindo extensões, todos presenciais, que é o que existia naquele tempo. Meu primeiro emprego foi ajudar meu pai no depósito de artigos de época, fazendo pacotes, atendendo a freguesia, carregando mercadoria, auxiliando no escritório, e fazendo contas. Depois vagabundeei um pouco e fui ser cobrador. Passou um tempo e voltei a vagabundear, para depois atuar com artes plásticas e antiguidades. O dinheiro não dava para nada. Aí, recebi uma pequena herança e abri uma lanchonete que era também uma casa de chá. Logo, minha esposa estava participando, até que, de repente, passou a cuidar sozinha do local. Nesse meio tempo, fui chamado como redator e repórter da Rádio Emissora de Campos do Jordão. Depois, concomitantemente, fui empregado de diversos jornais escritos, como diretor de redação, fotógrafo, editor, redator, repórter, diagramador, etc., tudo ao mesmo tempo, já que eram jornais pequenos. Também trabalhei, uns meses, como jornalista da prefeitura, o que me garantiu uns bicos em períodos eleitorais. Como jornalista, fiz ainda alguns frilas e uma correspondência por três meses tórridos! Noutra época, meus finais de semana eram tomados por uma galeria de arte de Campos do Jordão. Quando fui demitido da Rádio Emissora, comecei a trabalhar como advogado, e logo fui chamado pela Sabesp, para a qual havia prestado concurso, em Caraguatatuba, onde trabalhei como atendente a consumidores. Minha aposentadoria foi pela Sabesp. Moro atualmente no litoral norte do estado de São Paulo. Meus hobbies são ouvir discos de vinil, ler muito, ver filmes e séries. E fazer cursos e oficinas pela internet. Contato: [email protected]

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