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URUBÚ!


Nunca fui estampado em bandeira!

Ninguém me quer nas camisetas!

O Criador me pôs no mundo para ser urubú.

URUBÚ!

 

 

Não nasci para assustar ninguém, meu irmão,

Só vou atrás do que ninguém mais quer:

A CARNIÇA,

O OSSO,

O LIXO.

AS ENTRANHAS

São minhas conhecidas de velho

URUBÚ!

 

 

Sou preto porque o Criador me quis assim.

Tenho pontas de asas brancas e ninguém vê.

Sou preto de asinha branca, irmão,

E tenho muito gosto, eu sou

URUBÚ!

 

 

Minha cabeça é baixa e corcundinha,

Mas o meu vôo é dos pássaros mais nobres!

Eu sou nobreza e, olhaí,

Nunca fui estampado em bandeira

E ninguém me quer  nas camisetas...

 

 

Vivo caçando o que é meu pão,

Só vou atrás do que ninguém mais quer:

A CARNIÇA,

O OSSO,

O LIXO.

AS ENTRANHAS

São minhas conhecidas de velho

URUBÚ!

 

 

Vivo em bando

E meus chapinhas me reconhecem.

Sou gracioso e humilde.

É...

 

 

Não sou amado como as garças,

Mas elas não tem a beleza que meus olhos

Já puderam ver, meu irmão, 

E que guardo na memória da minha retina...

Elas que sejam garças,

Eu sou urubu! VIVA!

 

 

Você tá pensando que vive muito  alto,

Mas eu vôo muito mais alto e olho de longe!

Você se acha vitorioso,

Mas eu ainda tenho pena de ti.

Você se pensa tão alto e vigoroso,

Talvez um dia seja minha a tua carniça.

 

 

Só vou atrás do que ninguém mais quer:

A CARNIÇA,

O OSSO,

O LIXO.

AS ENTRANHAS

São minhas conhecidas de velho

URUBÚ!

Você vive e pensa o tempo todo em se vingar!

Esparrama a tua cabeça no fofo travesseiro,

Planeja as falcatruas sobre teu companheiro

E um dia esquece de acordar,

Por causa de um estouro no coração...

Só vai sobrar o teu cadáver,

Teu orgulho, tua avidez e tua pressa.

Só vou atrás do que ninguém mais quer:

A CARNIÇA,

O OSSO,

O LIXO.

AS ENTRANHAS

São minhas conhecidas de velho

URUBÚ!

 

 

Tem gente que tem medo da gente.

Medo de urubú é o medo de si mesmo.

Você tem medo de urubú, me teme e se afasta

E eu tenho medo de você.

 

Nós vivemos afastados.

inverno de 2001.

©All Rights Reserved

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leopoldo pontes

Leopoldo Luiz Rodrigues Pontes é meu nome. Nasci às 4 e meia da manhã, do dia 4 de abril de 1958, no bairro da Lapa, na cidade de São Paulo. No final dos anos 1970 e início dos 80, publiquei uma série de livros de poemas, por conta própria, na base do mimeógrafo e do off-set. Os principais foram: “Paixões Remuneradas”, “Sobre Rio Claro” e “Já que Tá, então Fica”. Tentei fazer alguns para educação popular, mas não foram para frente, nem os de arte em mimeógrafo. Enveredei pelas artes plásticas e pela música. Fiz várias exposições individuais e participei de coletivas. Fui solista de guitarra e cantei, em várias bandas de rock que não duraram quase nada. Individualmente, toquei vários outros instrumentos, não só de corda, mas também, muito mal, de sopro e percussão. Sempre de ouvido, embora tenha estudado profundamente música, o que ainda o faço. Minha formação acadêmica inclui jornalismo em Santos e direito em Taubaté, além de meia-pós-graduação em comunicação social e uma pós-graduação em língua portuguesa e literatura. E vários pequenos cursos adicionais, incluindo extensões, todos presenciais, que é o que existia naquele tempo. Meu primeiro emprego foi ajudar meu pai no depósito de artigos de época, fazendo pacotes, atendendo a freguesia, carregando mercadoria, auxiliando no escritório, e fazendo contas. Depois vagabundeei um pouco e fui ser cobrador. Passou um tempo e voltei a vagabundear, para depois atuar com artes plásticas e antiguidades. O dinheiro não dava para nada. Aí, recebi uma pequena herança e abri uma lanchonete que era também uma casa de chá. Logo, minha esposa estava participando, até que, de repente, passou a cuidar sozinha do local. Nesse meio tempo, fui chamado como redator e repórter da Rádio Emissora de Campos do Jordão. Depois, concomitantemente, fui empregado de diversos jornais escritos, como diretor de redação, fotógrafo, editor, redator, repórter, diagramador, etc., tudo ao mesmo tempo, já que eram jornais pequenos. Também trabalhei, uns meses, como jornalista da prefeitura, o que me garantiu uns bicos em períodos eleitorais. Como jornalista, fiz ainda alguns frilas e uma correspondência por três meses tórridos! Noutra época, meus finais de semana eram tomados por uma galeria de arte de Campos do Jordão. Quando fui demitido da Rádio Emissora, comecei a trabalhar como advogado, e logo fui chamado pela Sabesp, para a qual havia prestado concurso, em Caraguatatuba, onde trabalhei como atendente a consumidores. Minha aposentadoria foi pela Sabesp. Moro atualmente no litoral norte do estado de São Paulo. Meus hobbies são ouvir discos de vinil, ler muito, ver filmes e séries. E fazer cursos e oficinas pela internet. Contato: [email protected]

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